Comunicação e Sociedade
(e-ISSN: 2183-3575 | ISSN: 1645-2089) é uma publicação do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Publicada desde 1999, esta revista tem um rigoroso sistema de arbitragem científica e é publicada duas vezes por ano. Está indexada em diferentes plataformas e bases de dados de revistas científicas, tanto de âmbito nacional como internacional.
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Rita Araújo, Pedro Jerónimo & Thomas Hanitzsch
Vol. 48 2025 | CECS | UMinho
ISSN:1645-2089
Embora “estudar o jornalismo sem qualquer tipo de viés etnocêntrico seja uma impossibilidade epistemológica” (Hanitzsch, 2019, p. 214), a investigação em estudos de jornalismo deve ter em conta a diversidade e o pluralismo, evitando desequilíbrios de género ou de localização geográfica, entre outros. No entanto, este nem sempre é o caso. Um conjunto crescente de estudos reconhece a existência de assimetrias de longa duração na produção de conhecimento no campo dos estudos de jornalismo, com o Norte Global a receber vasta atenção quando comparado com o Sul Global (e.g., Goyanes & Demeter, 2020; Hanusch & Vos, 2020; Jerónimo & Torre, 2025). No que concerne ao estudo da precariedade no jornalismo, por exemplo, há diferenças significativas entre o Norte Global e o Sul Global. Neste último, as condições de instabilidade são frequentes, com a precariedade associada a desafios na prática profissional, como a autocensura ou os efeitos do colonialismo que ainda estão presentes no sistema mediático (e.g., Matthews & Onyemaobi, 2020). Também há diferenças notórias quando o tema é a violência. Embora a violência contra jornalistas fosse estudada no Sul Global, uma vez que, tipicamente, era associada a zonas de guerra e regimes autoritários, a investigação está cada vez mais a olhar para a violência em democracias consolidadas, como na Europa Ocidental e nos Estados Unidos (e.g., Adams, 2018; Araújo, 2024; Chen et al., 2020; Ivask et al., 2023; Miller, 2023; Miller & Lewis, 2022; Miranda et al., 2023; Waisbord, 2022). Ainda assim, e apesar de a segurança ser um problema global, jornalistas em zonas diferentes do globo estão sujeitos a diferentes formas de violência e múltiplas consequências (Waisbord, 2022). Desta forma, tanto as modalidades como a intensidade da violência e as estratégias usadas para mitigar os seus efeitos refletem “disparidades estruturais e sistémicas persistentes no ambiente mediático” (Slavtcheva-Petkova et al., 2025, p. 18).