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É uma revista científica de Cultura Visual e de Artes Digitais. Pretende promover o debate transdisciplinar em torno dos processos de mediação visual da cultura, que além dos estudos sobre fotografia, cinema, televisão, publicidade, jogos de vídeo, média digitais, inclui hoje as artes tecnológicas e as media arts.

A revista foi criada em 2015 pelo Grupo de Trabalho de Cultura Visual da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom) e, no segundo semestre de 2020, passou a ser editada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

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Retrato Fotográfico: Convergências, Divergências, Reflexões e Pensamentos

Helena Pires, Eduardo Camilo & Florin Grigoraş

Nº 16 2025 | CECS | UMinho

ISSN:2184-1284

Outrora um território privilegiado da pintura, rapidamente o retrato beneficiou das possibilidades de reprodutibilidade técnica (Benjamin, 1931/1992), que permitiam, por exemplo, a sua rentabilização comercial, sob a forma de cartões de visita, os quais se popularizaram entre as classes burguesas. Como nota Barthes (1980/1989), “o retrato, pintado, desenhado ou miniaturizado foi, até à difusão da Fotografia, um bem restrito, destinado, aliás, a marcar um estatuto social e financeiro” (p. 28). Ainda que contribuindo para a dessacralização das artes plásticas, a fotografia, e de um modo especial o retrato, é herdeira de um complexo sentido ontológico, pelo modo renovado como emprestou forma à necessidade, profunda e irreprimível, de fixação aparente e artificial dos corpos humanos, capturando-os dos fluxos temporais e da inevitável fragilidade da vida terrena (Bazin, 2013). Além do mais, a consciência de si como outro, provocada pela transformação do sujeito em objeto, continua a perseguir a experiência fotográfica do retrato, tanto do ponto de vista do fotógrafo, como do fotografado. Sebastião Salgado, de um modo especial, ao eternizar o rosto dos indígenas da Amazónia, oferece-nos um ensaio desafiante sobre as condições de possibilidade de relação com a alteridade, as quais são sempre reveladoras de inultrapassáveis limites à  compreensão, pelo carácter espectral e misterioso que cada retrato encerra.